A dança sempre esteve dentro de mim. Quando criança e adolescente, acabei não buscando ou tendo oportunidade de estudá-la, mas ela estava lá o tempo todo, como uma chama, que surge do “nada”, cresce, avança, e se perpetua. A música, os filmes musicais e o pouco que eu conhecia do jazz dance, foram minhas primeiras inspirações, estímulos que faziam acender e crescer a tal chama, e com o que passei a me identificar, uma vez que aquilo era o que eu sentia preencher todos os cantinhos do meu ser, o que eu passei a conhecer como felicidade e plenitude. Foi aí que passei a dançar muito, criando e reciclando os movimentos, passos e sequências, com base no que assistia; a memória trazia uma cena inspiradora como referência, e o meu corpo seguia seu instinto, levado pela música e a criatividade latente dentro de mim. Sempre muito introvertida e mergulhada em um mundo muito meu, a dança parecia uma ferramenta que me permitia estar presente, e ao mesmo tempo conectada com algo inexistente aos olhos, que eu não sabia identificar na época. Diferentes tipos de música e dança despertavam meu eu adormecido, e a única certeza que eu tinha é de que queria dançar enquanto estivesse nesse mundo.

Entre meus 11 e 28 anos, me aventurei, passeando por alguns diferentes estilos de dança, e experiências interessantes e inesquecíveis: experimentar a lambada no seu auge; participar e ser finalista estadual de um concurso famoso de axé music; desfrutar da salsa nos clubes calientes;acolher o forró pé de serra que me levou até Itaúnas e me apresentou o amor da minha vida; e deixar manifestar a minha fusão preferida da época – Madonna e Jazz Dance, que me fez criar e ousar no colégio, trazendo às apresentações o que eu não conseguia manifestar no dia-a-dia. Aos 16 anos, para uma avaliação bimestral de educação física, assumi uma turma enorme de meninas, criando uma coreografia original e impactante; e no ano seguinte, uma coreografia ousada de cabaré, vestida a caráter, o que impressionou todo o colégio, principalmente diante do meu perfil tímido.

A dança do ventre chegou mais tarde, por acaso, e me entreguei a ela, pois o encantamento e mistério que trazia, com o cenário egípcio e a sonoridade enigmática das “mil e uma noites” causavam-me certa hipnose. E foi a vida própria da dança em si dentro de mim, e esse encantamento pelo mistério que parecia envolver essa dança, que nunca mais me deixou abandoná-la.

Agora, com tantos anos de técnica e experiências nessa dança, e ainda sempre em constante aprendizado, sempre tenho a impressão de que há ainda tanto e muito a aprender. E toda essa percepção e auto exigênciaresultam principalmente da constatação de que a dança está além do corpo, além dos limites do espaço físico; é o amor e liberdade do ser, é a alma que quer expandir, mas que tem que restringir ao corpo o seu vôo infindo.

Katia Preite teve o primeiro contato com a dança do ventre em aproximadamente 2001, com a professora Marise Piva. Teve como base de estudos Lulu FromBrazil, com quem esteve em constante aprendizado por vários anos. Desde 2011 tem aprofundado seus estudos com Aziza Mor Said, e hoje segue também como sua trainee no Centro Cultural Shangrilá. Participou de vários cursos e workshops com profissionais renomados: Dariya Mitskevich, Randa Kamel, Soraia Zaied, Gamal Seif, Saida, Elis Pinheiro, Mahaila El Helwa, Carla Silveira, Aysha Alméé, Munira Magharib, Jade El Jabel, dentre outros.

Participou e participa de vários eventos e shows, e atua como bailarina e professora de dança do ventre. DRT nº 0033660SP