Ghawazee - nossas mães de dança - livres e viajantes!

Ghawazee

Os Ghawazee no Egito eram um grupo formado por bailarinas, músicos e artistas, e em pouco mais de quartenta anos foram da prosperidade para  a quase extinsão.

Quem são os Ghawazee?

Os Ghawazee no Egito são os descendentes de nômades que migraram da India, através de países longínquos e do Oirente Médio e depois se encaminharam para o sul rumo ao Egito por volta do sec XVI.

Suas ocupações tradicionais nas comunidades egípcias eram como músicos , dançarinas e cantores, para pequenos e grandes eventos ou celebrações.

Sua origem que não é nem egípcia e nem árabe, os distingue de todos a sua volta e esta colocação é senso comum entre historiadores e por eles mesmos através de séculos.

O historiador Edward Lane ( início do Sec XIX0 os definiu com uma raça distinta ou diferente que por vezes usa palavras exclusivas que só tem sentido dentro de seu próprio grupo.

Na enciclopédia Britânica ( edição 1911) “ Ghawzi ( Sing Ghzia)formam uma classe separada muito similar aos ciganos. Se casam apenas entres eles mesmos, e suas mulheres são dançarinas profissionais. Elas dançam em público feiras, e festivais religiosos, assim como em festas particulares, mas menciona que nunca se apresentam em casas respeitáveis.

Mehmet Au os baniu para Esna no alto Egito, e os poucos que sobraram no Cairo se denominavam Awalim para evitar punições. Muitas das mulheres que hoje dançam no Cairo não são nem Awalim e nem Ghawazee mas sim mulheres de classe baixa que não tem nem graça e nem elegância ao dançar.

Edwina Nearing, em sua pesquisa de campo no final do sec XX escreveu “ Minha própria pesquisa entre as Awlad Maazin em Luxor uma família que foi responsável por muito tempo liderando as Ghawazi no Egito, confirmou que são membros obscuros de muitas linhas étnicas diferentes

Cada grupo aparentemente tem sua própria língua. Os Mazin que são de Nawar, clamam que sua língua não tem relação com nenhuma outra língua falada pelos outros grupos. O pequeno vocabulário Nawari que eu colecionei demonstra algumas afinidades com Hindi ( idioma da India) sugerindo que este grupo pode ter se originado próximo da India provavelmente perto do Norte da India, embora isso não possa ainda ser provado de forma incontestável.

Ibrahim Farah, numa entrevista com Alan Weber, disse “ Nos tempos em que eu tocava Habab em celebrações no Alto Egito muitas vezes encontrei as Banat Mazin e seu pai Yusul Mazin, o patriarca do clã de filhas que se tornou o mais famoso grupo de Gawazi dos tempos contemporâneos. Mr Weber manteve contato com o patriarca por muitos anos e também com suas filhas.

Weber afirma que de fato a família Mazin descende do que conhecemos por Gawazee, tal como descritos pelos viajantes europeus no final do Sec XIX. Eles moram na mesma região De Esna Luxor , Aena e  Balyana. Eles vieram da tribo dos Nawar que muitos acreditam ter sua origem na antiga Pérsia

A língua nativa dos Nawar é Farsi, um idioma que ainda é falado entre os Mazin , mas de forma restrita e apenas entre eles.Embora as filhas falem um pouco de Farsi , Weber afirma que o patriarca ainda mantinha de 300 a 400 palavras de seu idioma natal  Farsi e que este é considerado a linguagem secreta dos Gawazi

Youseef Maazin numa entrevista para Jeremy Ware , diz :

Nossa tribo originalmente veio do Kurdistão , muitas gerações atrás, e tinham sido banidos de ísua terra natal , por farsas malignas e má reputação. Pois em verdade nós roubaríamos e nos apropriaríamos de coisas, além de ser considerados ladrões de estrada também.

Tivemos que viver fora da sociedade e mantivemos vivas nossa cultura e tradição

Mas fomos punidos e levados para fora do Kurdistão e do Irã que era nossa terra Natal

Para sobreviver nossos filhos foram levados a se tornar músicos e as filhas bailarinas, e desta forma sobrevivemos e fomos aceitos pela população local.Invadimos seus corações e suas mentes com nossa arte. E então estávamos alocados em Luxor finalmente.

 

 

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Selo de Qualidade em Dança Oriental

Afinal o que é este projeto?

Decidi escrever este texto para explicar a qualquer pessoa que visite nosso site, qual a origem desta idéia e o porque de desenvolver um website dedicado a ela!

Eu pessoalmente danço desde 1983 tendo iniciado minhas aulas em 1982 com Shahrazad ( Madeleine Skandarian)

Durante minha carreira como bailarina, desenvolvi a primeira forma de reconhecimento de qualidade em dança oriental no Brasil.

Evidentemente a parte artística e corporal do processo tinha minha marca pessoal e todas as diretrizes sobre técnica e musicalidade, já que esta é minha área de atuação.

A vida se transforma e nos leva por novos caminhos, e depois de 22 anos dentro de minha primeira empresa, a sociedade se desfez e com ela parte do projeto ligado a dança também acabou sofrendo modificações.

Portanto decidi reconstruir minha idéia original com uma diretriz ainda mais ampla e acolhedora para todas as pessoas que por ela se interessassem.

A idéia seria oferecer uma análise personalizada da dança das integrantes da seleção de qualidade, oferecendo a elas a chance de um retorno pessoal e detalhado sobre sua qualidade de dança, e posterior a esta análise, o reconhecimento em nível nacional e internacional, de seu trabalho.

Cada pessoa que faz parte deste website, de fato tem um trabalho consistente, e no momento de sua entrada dentro deste site, apresenta qualidade excepcional como representante da dança Oriental.

Temos integrantes que vivem no Brasil e também no exterior, pois o fato de viajar com a dança me permitiu conhecer e ensinar em 34 países o que ampliou muito o leque de talentos que pude conhecer!

A idéia principal deste website dedicado, é divulgar de forma ampla , respeitosa e detalhada, as pessoas que desenvolvem em nosso país um trabalho de alta qualidade ligado a dança árabe.

Cada uma delas tem uma página dedicada, com seu histórico pessoal, e as formas de entrar em contato para que a ponte seja feita sem nenhuma interferência de minha parte.

Meu intuito é compartilhar conhecimento e reconhecimento, por aquelas e aqueles que fazem a diferença no meio da Dança Oriental, por todo o mundo.

Meu desejo é :

“ Que possamos reunir esforços para que a arte sempre sobreviva, a todas as intempéries, e que a qualidade e dedicação possam sempre ser a moeda de troca mais preciosa deste mundo”

Lulu Sabongi