Taqsim- apenas um pouco sobre um mundo de possibilidades

Taqsim

 

Taqsim (árabe: تَقْسِيم / ALA-LC: taqsīm; grego: ταξίμι, romanizado: taksimi, turco: taksim) é uma improvisação musical melódica que geralmente precede a apresentação de uma composição musical tradicional árabe, grega, do Médio Oriente ou turca.

O Taqsim segue tradicionalmente uma certa progressão melódica. Partindo da tónica de uma determinada maqam árabe (ou de um makam turco), as primeiras medidas da improvisação permanecem numa certa área do Maqam , introduzindo assim a maqam ao ouvinte. Após esta introdução, o artista é livre de se deslocar para qualquer parte da maqam, e mesmo de se modular para outras maqams, desde que regresse à original.

Taqsim é uma performance de um instrumento solo, que pode ou não ser acompanhado por  um percussionista ou outro instrumentista que toca um instrumento percussivo respeitando a tónica da maqam.

Para nós bailarinas, o Taqsim é um momento de demonstração de sensibilidade, riqueza de repertório e capacidade de expressão além de elegância e delicadeza em sua criação , em termos corporais.

Eu considero uma das partes mais difíceis da dança, por ser também muito mais sutil do que um sólo de percussão.

O que é o Maqam ?

Na música árabe e persa, o maqam (em árabe: مقام, translit. maqām; em farsi: مقام, translit. maqâm) é um modo melódico heptatônico, utilizado tanto para a música instrumental como vocal. Cada maqam pode ser compreendido como uma técnica de improvisação com padrões, alturas e desenvolvimentos próprios, mas sem ritmo fixo. São formados formadospor ajnas (singular,em árabe: جنس‎, translit. jins), tríadestetracordes e pentacordes, sendo que cada maqam tem obrigatoriamente dois ajnas (chamados “superiores”) e facultativamente ajnas adicionais (chamados “secundários”), estes primariamente utilizados para modulação.[2]

O termo maqam tem suas origens nos tratados musicais do século XV de Abd al-Qadir Maraghi,] de forma que se disseminou para outras formas de modalismo, como a clássica otomana (o makam), a sefardita (o maqam semanal), a azeri (o mugham), a asiática central (o shashmaqam) e a chinesa (o muqam).

É importante dizer, que se formos comparar esta palavra com nossa língua, o mais próximo que chegaremos será a escala musical, pois o Maqam pode ser compreendido desta maneira

De qualquer maneira, as escalas árabes são muito diferentes das Ocidentais, pois possuem além do tom, e meio tom, como nas nossas, outras subdivisões.

Na forma árabe musical, existem os quartos de tom e as notas chamadas” notas acidentais” o que torna tudo ainda mais rico e a miríade de sons mais especial.

Segundo Khaled Seif , um de meus professores mais admirados ao Taqasim, é a forma puramente instrumental do Maqam e uma forma musical muito livre. Aqui a melodia é concentrada em apenas alguns tons, a fim de deixar os níveis tonais, que são tão típicos para a maqam, com o devido espaço livre.

 

Que ritmos podem eventualmente acompanhar um Taqsim?

Como já coloquei antes ele pode vir sem ritmo algum mas quando tem um ritmo que o acompanhe é muito comum ouvirmos Chiftetelli.

Neste link vocês podem também ler um texto muito bom sobre Taqsim que traz inclusive uma apresentação de Najwa  Fuad que é por si só um estudo.

https://cadernosdedanca.wordpress.com/2010/10/01/videoteca-taqsim-nagwa-fouad-e-lulu-sabongi/#comments

 

https://www.youtube.com/watch?v=SkrdsIJ1eBM

Aqui o vídeo que mencionei de que podem tirar muito proveito amores!!

https://www.youtube.com/watch?v=gtPuZ2dsgho

Aqui o melhor Taqsim Baladi que já assisti minha vida toda

Mona Said!

Taksim pontos importantes

Sendo o Taksim Improvisação de um instrumento melódico; é uma manifestação artística carregada de sentimento.

 

Pontos a serem estudados na construção do Taksim:

– Molduras: movimentação dos braços; percurso, suavidade, dinâmica, energia até a ponta dos dedos;

– Direção do corpo, mudança de peso, posicionamento dos pés;

– Emendas dos movimentos; movimento que percorre o corpo; quadril, tronco, braços e cabeça;

Mudança de dinâmica do movimento; acelerar, ralentar;

Adequação da velocidade do movimento com o instrumento; diferentes instrumentos, diferentes intenções, diferentes pesos.

Instrumentos importantes e presentes :

  • Violino
  • Alaúde
  • Nai
  • Flautas outras
  • Kannoun

Alaúde 

 alaude

 Qanoun

qanoun

 

Violino

 Violino

Nai

 Ney

 

Movimentos que são interessantes para transformar em visão os sons provenientes de Taqsim melódico:

  • Oitos e suas variações
  • Movimentos circulares e variações
  • Ondulações
  • Acentos sob controle
  • Variedade de movimentos reverberados com a presença de vibrato

 

Ritmos muito comuns para acompanhamento de Taqsim

 

chiftitelli

1     2          3      4       5    6    7    8

D     –      T     –     T       D     –    T     –

 

 

Iqaa_Masmudi_kabir8_4

D    D        –     T       D      –       T      –

Masmudi Kabir (Masmudi grande)

Wahda Kbir

 

Espero que possam ter aproveitado o material, muito obrigada pela presença e pelo interesse nesta arte que tem sido presente em minha vida por 36 anos!

Que possamos continuar dançando e aprendendo enquanto estivermos vivas!

Beijos a todas

Lulu

 

 

Ghawazee - nossas mães de dança - livres e viajantes!

Ghawazee

Os Ghawazee no Egito eram um grupo formado por bailarinas, músicos e artistas, e em pouco mais de quartenta anos foram da prosperidade para  a quase extinsão.

Quem são os Ghawazee?

Os Ghawazee no Egito são os descendentes de nômades que migraram da India, através de países longínquos e do Oirente Médio e depois se encaminharam para o sul rumo ao Egito por volta do sec XVI.

Suas ocupações tradicionais nas comunidades egípcias eram como músicos , dançarinas e cantores, para pequenos e grandes eventos ou celebrações.

Sua origem que não é nem egípcia e nem árabe, os distingue de todos a sua volta e esta colocação é senso comum entre historiadores e por eles mesmos através de séculos.

O historiador Edward Lane ( início do Sec XIX0 os definiu com uma raça distinta ou diferente que por vezes usa palavras exclusivas que só tem sentido dentro de seu próprio grupo.

Na enciclopédia Britânica ( edição 1911) “ Ghawzi ( Sing Ghzia)formam uma classe separada muito similar aos ciganos. Se casam apenas entres eles mesmos, e suas mulheres são dançarinas profissionais. Elas dançam em público feiras, e festivais religiosos, assim como em festas particulares, mas menciona que nunca se apresentam em casas respeitáveis.

Mehmet Au os baniu para Esna no alto Egito, e os poucos que sobraram no Cairo se denominavam Awalim para evitar punições. Muitas das mulheres que hoje dançam no Cairo não são nem Awalim e nem Ghawazee mas sim mulheres de classe baixa que não tem nem graça e nem elegância ao dançar.

Edwina Nearing, em sua pesquisa de campo no final do sec XX escreveu “ Minha própria pesquisa entre as Awlad Maazin em Luxor uma família que foi responsável por muito tempo liderando as Ghawazi no Egito, confirmou que são membros obscuros de muitas linhas étnicas diferentes

Cada grupo aparentemente tem sua própria língua. Os Mazin que são de Nawar, clamam que sua língua não tem relação com nenhuma outra língua falada pelos outros grupos. O pequeno vocabulário Nawari que eu colecionei demonstra algumas afinidades com Hindi ( idioma da India) sugerindo que este grupo pode ter se originado próximo da India provavelmente perto do Norte da India, embora isso não possa ainda ser provado de forma incontestável.

Ibrahim Farah, numa entrevista com Alan Weber, disse “ Nos tempos em que eu tocava Habab em celebrações no Alto Egito muitas vezes encontrei as Banat Mazin e seu pai Yusul Mazin, o patriarca do clã de filhas que se tornou o mais famoso grupo de Gawazi dos tempos contemporâneos. Mr Weber manteve contato com o patriarca por muitos anos e também com suas filhas.

Weber afirma que de fato a família Mazin descende do que conhecemos por Gawazee, tal como descritos pelos viajantes europeus no final do Sec XIX. Eles moram na mesma região De Esna Luxor , Aena e  Balyana. Eles vieram da tribo dos Nawar que muitos acreditam ter sua origem na antiga Pérsia

A língua nativa dos Nawar é Farsi, um idioma que ainda é falado entre os Mazin , mas de forma restrita e apenas entre eles.Embora as filhas falem um pouco de Farsi , Weber afirma que o patriarca ainda mantinha de 300 a 400 palavras de seu idioma natal  Farsi e que este é considerado a linguagem secreta dos Gawazi

Youseef Maazin numa entrevista para Jeremy Ware , diz :

Nossa tribo originalmente veio do Kurdistão , muitas gerações atrás, e tinham sido banidos de ísua terra natal , por farsas malignas e má reputação. Pois em verdade nós roubaríamos e nos apropriaríamos de coisas, além de ser considerados ladrões de estrada também.

Tivemos que viver fora da sociedade e mantivemos vivas nossa cultura e tradição

Mas fomos punidos e levados para fora do Kurdistão e do Irã que era nossa terra Natal

Para sobreviver nossos filhos foram levados a se tornar músicos e as filhas bailarinas, e desta forma sobrevivemos e fomos aceitos pela população local.Invadimos seus corações e suas mentes com nossa arte. E então estávamos alocados em Luxor finalmente.

 

 

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Selo de Qualidade em Dança Oriental

Afinal o que é este projeto?

Decidi escrever este texto para explicar a qualquer pessoa que visite nosso site, qual a origem desta idéia e o porque de desenvolver um website dedicado a ela!

Eu pessoalmente danço desde 1983 tendo iniciado minhas aulas em 1982 com Shahrazad ( Madeleine Skandarian)

Durante minha carreira como bailarina, desenvolvi a primeira forma de reconhecimento de qualidade em dança oriental no Brasil.

Evidentemente a parte artística e corporal do processo tinha minha marca pessoal e todas as diretrizes sobre técnica e musicalidade, já que esta é minha área de atuação.

A vida se transforma e nos leva por novos caminhos, e depois de 22 anos dentro de minha primeira empresa, a sociedade se desfez e com ela parte do projeto ligado a dança também acabou sofrendo modificações.

Portanto decidi reconstruir minha idéia original com uma diretriz ainda mais ampla e acolhedora para todas as pessoas que por ela se interessassem.

A idéia seria oferecer uma análise personalizada da dança das integrantes da seleção de qualidade, oferecendo a elas a chance de um retorno pessoal e detalhado sobre sua qualidade de dança, e posterior a esta análise, o reconhecimento em nível nacional e internacional, de seu trabalho.

Cada pessoa que faz parte deste website, de fato tem um trabalho consistente, e no momento de sua entrada dentro deste site, apresenta qualidade excepcional como representante da dança Oriental.

Temos integrantes que vivem no Brasil e também no exterior, pois o fato de viajar com a dança me permitiu conhecer e ensinar em 34 países o que ampliou muito o leque de talentos que pude conhecer!

A idéia principal deste website dedicado, é divulgar de forma ampla , respeitosa e detalhada, as pessoas que desenvolvem em nosso país um trabalho de alta qualidade ligado a dança árabe.

Cada uma delas tem uma página dedicada, com seu histórico pessoal, e as formas de entrar em contato para que a ponte seja feita sem nenhuma interferência de minha parte.

Meu intuito é compartilhar conhecimento e reconhecimento, por aquelas e aqueles que fazem a diferença no meio da Dança Oriental, por todo o mundo.

Meu desejo é :

“ Que possamos reunir esforços para que a arte sempre sobreviva, a todas as intempéries, e que a qualidade e dedicação possam sempre ser a moeda de troca mais preciosa deste mundo”

Lulu Sabongi